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	<title>Um Conto Em Cada Canto</title>
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		<title>Um Conto Em Cada Canto</title>
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		<title>O homem</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 02:19:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neojoy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Avulsos]]></category>

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		<description><![CDATA[O homem estava deitado no sofá. Assistia às últimas notícias. Uma inundação se alastrava pelo Brasil e um vírus animal por todo mundo. Parecia surreal demais. Seu corpo suado molhava a camisa de flanela que usava. Os jeans sujos de barro sujavam o móvel. Estava descalço. Parecia tudo tão irreal. Tão perdido. O homem se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=52&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O homem estava deitado no sofá. Assistia às últimas notícias. Uma inundação se alastrava pelo Brasil e um vírus animal por todo mundo. Parecia surreal demais. Seu corpo suado molhava a camisa de flanela que usava. Os jeans sujos de barro sujavam o móvel. Estava descalço. Parecia tudo tão irreal. Tão perdido.</p>
<p>O homem se levantou e foi até a cozinha. Passou patê de frango em um pedaço de pão e o segurou na boca enquanto colocava suco de laranja no copo. Lembrou de quando era criança e sentia frio quando enxergava a cor azul. Suas mãos tremiam e sentiu frio. Tinha medo de olhar o céu. Certos traumas podem destruir totalmente a vida de alguém. Muito surreal.</p>
<p>Ele abriu a porta dos fundos, comeu o último pedaço de pão e tomou o último gole de suco. Jogou o copo de plástico longe, olhou pra cima, flexionou os joelhos, deu um salto, e voou.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=52&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo 3 &#8211; Motivação</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 19:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neojoy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terras Isoladas]]></category>

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		<description><![CDATA[No colégio havia uma garota. Sempre acontece esse tipo de coisa não? Ou uma garota ou um cara. Sempre há alguém a se lembrar dos &#8220;tempos do colégio&#8221;. Uma boa parte fica apenas na lembrança. Outros ainda tentaram e não deram certo. Alguns estão até hoje. Acontece. Rafael não acreditava em receitas. Até porque não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=7&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No colégio havia uma garota. Sempre acontece esse tipo de coisa não? Ou uma garota ou um cara. Sempre há alguém a se lembrar dos &#8220;tempos do colégio&#8221;. Uma boa parte fica apenas na lembrança. Outros ainda tentaram e não deram certo. Alguns estão até hoje. Acontece. Rafael não acreditava em receitas. Até porque não conhecia nenhuma.</p>
<p>Seu nome era Adriana. Uma garota linda. Seus cabelos castanhos, olhos verdes, pele branca. Seu jeito de andar, seu jeito de falar. A forma como o ar tocava o seu rosto. Tudo Rafael observava. Via-a andando pelo pátio do colégio, durante o recreio, e imaginava tomando ela nos braços e roubando um beijo demorado e apaixonado. E o mundo seria apenas o mundo. O resto seriam eles.</p>
<p>Interessante como o nosso cérebro funciona. Ele conseguia observar isso agora. Tão apaixonado que não conseguia ver os defeitos da garota. Seu gênio forte, seu linguajar desbocado ou o fato de já beber tanto, sendo tão nova. Diziam que teria desmaiado bêbada numa calçada. E ela também era chamada de vadia por aí. Coisas que ele ouvia mas não assimilava. Como nunca havia presenciado os fatos mais fortes custava a acreditar. Na verdade não era nem por não acreditar, mas apenas por realmente não assimilar. Ele não conseguia ouvir.</p>
<p>Não conseguia, mas isso faz tempo. Quatro anos já passaram. Ele já viu do que ela é capaz. Já viu até demais. Soube de outros tantos. No fundo machucava. Ainda era sua amiga. Pelo menos era no que pensava. Que era apenas uma amiga. Acontece que hoje, quando saiu de casa, Rafael tinha Adriana na cabeça. As lembranças antigas e as lembranças novas. Sentado na sarjeta, onde ela teria desmaiado, ele olha o pão e o café que acabou de comprar e revê todas essas coisas. Todos os sentimentos. Todas as palavras. Todos os silêncios. Não pode terminar assim.</p>
<p>Ela já trocou de número de novo, o celular não vai ajudar. Ninguém nunca tem o número novo. Ele vai ter que correr. A primeira motivação do dia apareceu. Talvez não pelo motivo mais nobre, mas é como dizem: sempre tem uma garota.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/7/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=7&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Capítulo 2 &#8211; Nômade</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Nov 2008 09:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neojoy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terras Isoladas]]></category>

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		<description><![CDATA[Olhos castanhos, cabelo preto e curto, barba por fazer, moreno e um porte físico mediano. Não era um cara sarado, mas também não podia ser chamado de gordo. Estava só&#8230; meio fora de forma. Mas nada que o matasse com o esforço. Vencer as próprias deficiências era algo que Ele buscava todos os dias. Trazia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=6&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olhos castanhos, cabelo preto e curto, barba por fazer, moreno e um porte físico mediano. Não era um cara sarado, mas também não podia ser chamado de gordo. Estava só&#8230; meio fora de forma. Mas nada que o matasse com o esforço. Vencer as próprias deficiências era algo que Ele buscava todos os dias. Trazia uma paz interna muito grande. E paz era uma coisa muito legal. Bacana.</p>
<p>Correu bastante, mas não rápido como se pode imaginar. Estava mais para um trote. Uma dessas corridinhas de caminhada. Ele sabia que fazia isso por um motivo. Que havia saído de casa no começo da manhã por uma razão realmente boa. Só precisava escolher uma. Haviam várias opções. Muita coisa pra pensar. Essa era uma delas. Andar sem rumo ajuda. Pensar atrapalha. Voltou a apenas trotar.</p>
<p>Antes de sair de casa ele havia deixado de lado o tênis, que sentiria muita falta em mais alguns metros, mas não pôde esquecer a carteira e o celular. São o tipo de coisa que não se deixa por aí. Contém muitos segredos e tem lá suas utilidades. A primeira delas se manifestou agora. Rafael parou em uma padaria e comprou um achocolatado de caixinha e dois pães. Fome. Sua mente oscilava entre os desejos primários e os pensamentos complexos. A primariedade por si só era interessante. Ele pensava nisso sentado numa sarjeta tomando seu café. Se não fosse a boa aparência do rapaz já seria considerado um desabrigado. Interessante como as coisas são. A capa ajuda muito na compra de um livro.</p>
<p>Quanto ao celular, permanecia desligado. Seus serviços ainda não eram necessários.</p>
<div></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/6/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=6&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Capítulo 1 &#8211; Eram 04:00</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 08:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neojoy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Terras Isoladas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eram 04:00. Rafael não conseguia dormir. Era estranha a sensação que sentia. Um formigamento na nuca, um suor excessivo, e os dedos gostavam de se encurvar em si mesmos. Tentavam se agarrar. Se apertar. Rafael não se sentia bem. Decidiu por sair de casa. Os pais dormiam. Não sentiriam falta. Pegou as chaves e abriu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=5&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eram 04:00. Rafael não conseguia dormir. Era estranha a sensação que sentia. Um formigamento na nuca, um suor excessivo, e os dedos gostavam de se encurvar em si mesmos. Tentavam se agarrar. Se apertar. Rafael não se sentia bem.</p>
<p>Decidiu por sair de casa. Os pais dormiam. Não sentiriam falta. Pegou as chaves e abriu todos os trincos necessários. </p>
<p>A porta da frente.</p>
<p>A grade da porta da frente.</p>
<p>O portão da garagem.</p>
<p>O portão do pátio.</p>
<p>O portão de entrada.</p>
<p>O vento da madrugada o fazia relaxar. Se bem que 04:00 já não era madrugada. Mas pra ele o ar era o mesmo. Anulava a sensação da nuca. Bastava. E os grilos ainda cantavam e os pássaros prosseguiam mudos. Parecia madrugada. Ele se sentia melhor imaginando que era madrugada.</p>
<p>Pensou em correr rua a fora. Foi o que acabou fazendo. Como estava sem o tênis de corrida, que só pensou em calçar, antes de sair de casa, machucou o pé numa pedra ao dar o primeiro passo forte. Só serviu pro primeiro cambalear. Logo ele já estava correndo. Trajava uma calça comprida de tactel vermelha e preta. Era resto do último ano no colégio Aparecida Marins. Foi um bom ano. Bons colegas. Boas namoradas. Boas festas. Bons planos. Agora ele usava a calça pra dormir e lembrar de 5 anos atrás. Fazia bem.</p>
<p>O peito nu recebia toda aquela atmosfera deliciosa do horário. Acalmava realmente os ânimos. No pulso direito tinha uma pulseira de bolas vermelhas. Dessas de bolas grandes. Menores que as de gude pelo menos. O pulso esquerdo vestia um relógio Mormaii YP4238. Era um detalhe que aparentava não ser muito importante. No geral era um relógio preto com detalhes vermelhos próximo à coroa. Um relógio masculino muito bacana.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/umcontoemcadacanto.wordpress.com/5/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=5&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Capítulo 02 &#8211; O cara</title>
		<link>http://umcontoemcadacanto.wordpress.com/2008/10/22/o-cara/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 07:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neojoy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminho 351]]></category>

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		<description><![CDATA[Que sono. Que calor. Que calor e que sono. To cansado dessa rotina diária. Dessa mesmice eterna. Nada de novo acontece. Nada de bom acontece. O jeito é ficar aqui esperando o ônibus nessa mesma parada de sempre. Todo o dia to aqui sozinho mesmo.  Acordo tarde. Almoço. Vou pra faculdade. Volto pra casa. Estudo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=4&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que sono. Que calor. Que calor e que sono. To cansado dessa rotina diária. Dessa mesmice eterna. Nada de novo acontece. Nada de bom acontece. O jeito é ficar aqui esperando o ônibus nessa mesma parada de sempre. Todo o dia to aqui sozinho mesmo. </p>
<p>Acordo tarde. Almoço. Vou pra faculdade. Volto pra casa. Estudo pra nada. Durmo e tudo recomeça. Essa morgação me mata. Pior que eu só vejo a minha gata no fim de semana. Claro que ficar com ela nessas festas aí da noite é beleza mas as vezes parece que não é o suficiente. To precisando de alguma coisa pra temperar a minha vida. Algo novo. Algo que vai mudar tudo o que eu acredi&#8230; caraca! Mas que gata! E tá vindo na minha direção o que eu faço? Ela deve passar direto por mim, afinal, eu to em uma parada e não numa jaula com um abajur na mão. Po tenho que lembrar da Marisa. Tenho que lembrar da&#8230; ô meu Deus mas  como é gata! </p>
<p>Branquinha de cabelos longos e pretos soltos ao vento. Blusa bem fininha em conjunto com uma saia jeans e sandálias. Não não! Tenho que lembrar da minha namorada. Nada de ficar olhando mulher na rua. Ah ela ta ajeitando os cabelos! Ta chegando perto! Eu não vou olhar. Muito perto! E a Marisa cara? Marisa? Quem é? Lá vem lá vem. Não vou olhar!!!!!!!!</p>
<p>Ufa! Não olhei mesmo! Mantive meus olhos fixos pra frente e não vi a mulher. Caraca mas eu sou demais. Me mantive firme. A Marisa ia se orgulhar de mim. Claro que eu não vou contar mas po, eu sou “o cara&#8221; realmente. Poderoso. Reto. Sensato. Firm&#8230; pera aí&#8230; minha cabeça ta se voltando pra trás sozinha? </p>
<p>Cara tu já viu ela de frente imagina de costas. Mas e se quando olhar pra ela ela tiver me encarando? Cara tu num é homem não? Agarra ela e mete a língua logo! Não caramba! Eu não sou assim não! Ah mas vai ser e é agora! Olha ela ali. Ta vendo como é gata? Tô. Esquece a namorada po. Só uma olhadinha num mata ninguém. É verdade mesmo. Cara será que eu teria chance com uma gata dessas ein?</p>
<p> — Segura ele! Pega ladrão!</p>
<p>E um cara passa correndo do meu lado aparentemente carregando uma sacola. E como corre rápido. Três metros atrás passam correndo dois caras gritando. Passam até da garota que eu tava olhando. </p>
<p>O primeiro cara atravessa a rua na frente de um ônibus, que naquele momento deixava a parada, e uma carreta, que a propósito quase o atropela. Só um moleque. Os outros dois não tem a mesma coragem. Talvez porque não seriam eles quem iriam apanhar se fossem pegos. Eles iriam bater. E num era pouco não.</p>
<p>— Porra cara! Porque tu num segurou aquele filho da mãe?</p>
<p>— Deixa esse fresco pra lá bicho! Num viu que ele tava olhando pra bunda daquela gatinha ali? Agora deixa pra lá.</p>
<p>Eu até que ia dizer alguma coisa mas percebi que a garota olhava pra mim como se fosse o capeta que já tinha cumprido a missão. Me envergonhar e me humilhar. </p>
<p>Mas ah se eu soubesse! Se eu tivesse me virado antes. Se eu tivesse pego o bandido. Ele teria passado do meu lado e eu estenderia a perna fazendo o cara tropeçar em direção ao meio fio. Os caras iam pegar ele e talvez até eu mesmo me envolvesse só pra fazer média. No fim o cara estaria todo lascado. Lascado o suficiente pra esperar a polícia com muita calma. Eu sairia de lá me sentindo ótimo. Me sentido o tal.</p>
<p>Será que valeria a pena? Po o cara é filho de alguém e tal. Na hora eu ia ficar com mó pena dele. Um sorriso da gata e um agradecimento daqueles caras não valeria isso. Acima de como eu possa estar me sentindo agora Deus sempre sabe o que faz. “Deus está em todos. Age por meio de todos e para todos”. Acho q li isso em algum lugar. Coisas da minha mãe. Mas talvez seja assim mesmo. Ele sabe o que faz.</p>
<p>Ah mas se eu tivesse alerta teria feito alguma coisa concerteza! Seria um herói e essa mesmice teria passado. A Marisa ia pular no meu pescoço e de noite a gente se agarraria até num poder mais. Sairia até no jornal de domingo e quem sabe no jornal do horário do almoço. Será que no ônibus que eu vou pegar agora pra aula vai ter algum ladrão? Aí eu posso treinar essa minha coragem! Se bem que&#8230; é melhor eu cuidar da minha vida é que é. Num vou é pedir alguma coisa que não dê pra mim né? No final&#8230; Deus sabe o que faz.</p>
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		<title>Capítulo 1 &#8211; O Zé</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 07:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>neojoy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminho 351]]></category>

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		<description><![CDATA[Silvo entrou no ônibus. Passou na catraca dando uma nota de R$ 5,00 e ficando sem o troco. Tudo bem. Afinal ele é gente boa. Os colegas até bagunçavam dizendo que ele era mole demais. Melhor assim. Antes ser mole do que o bruto ignorante que muitos dos seus amigos eram. Silvo se sentia melhor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=umcontoemcadacanto.wordpress.com&amp;blog=6704643&amp;post=3&amp;subd=umcontoemcadacanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Silvo entrou no ônibus. Passou na catraca dando uma nota de R$ 5,00 e ficando sem o troco. Tudo bem. Afinal ele é gente boa. Os colegas até bagunçavam dizendo que ele era mole demais. Melhor assim. Antes ser mole do que o bruto ignorante que muitos dos seus amigos eram. Silvo se sentia melhor sendo do jeito que era. Do jeito que sua falecida mãe o criara. Era muito melhor assim do que antes. Antes do centro de correção.</p>
<p>Era uma parte da vida que ele não gostava muito. Foi pego por ter matado o dono de uma padaria e o caixa, mas antes disso muito já tinha aprontado. As acusações continham roubos, assaltos, tentativa de assassinato, porte ilegal de arma de fogo, resistência à prisão e outras coisas mais. Já tinha apontado uma faca pra 5 policiais uma vez e nessa feriu um no braço. <br />
Conseguiu fugir pra ser pego 6 meses depois na padaria do Seu Tonho. Na época chegou a dizer que de nada se arrependia. Um ano e dois meses na geladeira. Foi o suficiente pra amansar o menino. Pelo menos o suficiente pra ser bem visto no lugar pelos instrutores. Isso o mantinha sem porrada durante a noite também. Tanto pivete junto, sem nada pra fazer, nunca dá boa coisa. Os que entravam mais ou menos ruins, saiam de lá com o suficiente pra serem realmente maus.</p>
<p>Depois que saiu de lá Silvo ainda demorou pra se achar. Passou um bom tempo fazendo ainda muita coisa errada. Bebia o dia todo e de noite saí pra andar agarrado em alguma mulher por aí. Ainda roubava, mas agora só comida na feira. Chegava na vila onde morava, numa periferia da cidade, e caía na cama até o dia seguinte. De seus pais não tinha notícia desde os 10 anos. Não era agora, com 18, que eles iriam chegar com uma bicicleta no Natal. A vila era o único lugar que ainda o agüentava.</p>
<p>Foi lá que encontrou uma senhora que se simpatizou dele. Cuidava do rapaz durante o dia tentando impedi-lo de sair com as más companhias. Ele passou a ficar o dia ajudando a velha em diversos afazeres. Chegou até a simpatizar dela. Uma imagem materna que ele não tivera. Durante a noite era mais difícil manter Silvo nas rédeas. O jeito foi fazê-lo se enamorar da neta Regina. Silvo nunca colocou os olhos em coisa mais bela e graciosa. Uma morena de uns 1,70 e cabelos enrolados e longos. Seus olhos negros levantavam-se um pouco para alcançar os do rapaz um pouco mais acima. Duas semanas só de olhares até a própria senhora fazer os dois se declararem. Segundo ela, &#8220;só faltava isso &#8216;pra oficializá o negócio&#8217; ”. É ela sabia das coisas.<br />
Agora, com o rapaz sendo da família, dona Neuza podia segurar o caba. Mandou ele direto pra trabalhar com um dos filhos lá na fábrica. Começaria como peão mas em breve subiria, visto que ela conhecia e acreditava no potencial do rapaz. Infelizmente ela não conhecia o futuro que viria.</p>
<p>Com a velha senhora (que passou a ser chamada de mãe por ele) Silvo aprendeu tudo o que era bom pra subir na vida, mas isso não impedia que os mentirosos, ambiciosos e falsos colegas subissem primeiro. Depois de 20 anos o homem continuava no mesmo posto. É verdade que o chefe era seu amigo mas nada poderia fazer pra violar as regras. Mesmo que outros fizessem isso. Silvo não se abalava. Continuava completando seu serviço com honra e dignidade em nada se queixando.</p>
<p>Apesar dos gracejos que recebia &#8211; por ser &#8220;mole&#8221; demais &#8211; todos viam que Silvo era realmente um homem de bem. Trabalhador e honesto. Mas por quanto tempo? Era com esse pensamento que ele andava acordando nos últimos dias desde que recebeu a notícia que seria demitido no final do mês. Era inevitável. Começou a andar pela casa de madrugada pensando em como sobreviver a partir dali. O quarto filho estava pra nascer e, se já era difícil sustentar a família com o trabalho, ainda mais sem. Ele não sabia fazer mais nada além do serviço lá na fábrica de alumínio.</p>
<p>O chefe estava ciente disso e por isso o havia alertado sobre a perda do trabalho um mês antes. Seu Oliveira sim era um homem bondoso. Ainda levou Silvo pra conhecer outras partes da fábrica a fim de instaurar no velho homem o desejo de saber mais. De conhecer mais. De estudar mais. Talvez só isso pudesse salvá-lo de sua situação.</p>
<p>O problema era que Silvo era boi velho. Pra ele nada mais podia ser aprendido por aquela cachola com quilômetros rodados. Nem estudar era muito o feitio dele. No papel continha que nem da quinta série havia passado tendo repetido a mesma três vezes. “Deixe as letras e os números prus quí si impórta de aprendê.” Repetia sempre.</p>
<p>Infelizmente essa seria a sentença que o mandaria ao lugar pra onde ele jurou nunca mais voltar. Na madrugada anterior ele havia decidido que se não conseguisse emprego, durante o dia que se seguiria, à noite o inferno o receberia de braços abertos. Agora não havia mais volta. A arma estava na cintura e a sacola no bolso. Sentaria o mais atrás possível e esperaria o ônibus da linha 351 ficar mais vazio. Essa era a última corrida dele e concerteza o momento se aproximava. Nada poderia impedi-lo agora. Ele voltava a ser o Zé.</p>
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